Aborto espontâneo: a ameaça que ronda a gravidez das brasileiras e que atinge até 20% das gestações

Aborto é pauta constante no Brasil – mantido, quase sempre, pela guerra que divide contras e a favor da descriminalização.

O foco excessivo nos aspectos legais acaba deixando em segundo plano uma ameaça que ronda a gravidez das brasileiras: o aborto espontâneo.

Um problema que, apesar da falta de estatísticas oficiais, é comum nas maternidades brasileiras e atinge entre 15 e 20 por cento das gestações até a 22ª semana.

A interrupção é dividida em precoce (até a 12ª semana) e tardia (até a 22ª semana) e é provocada por diversos fatores, entre os quais causas genéticas, infeccionais e problemas imunológicos.

Detalhe: na maioria dos casos, o aborto ocorre sem que as gestantes percebam – agravando a condição de saúde das mulheres. Não apenas físicas. Mas também (e principalmente) psicológicas.

Perda e luto

Estudos com mulheres que sofreram aborto espontâneo mostram que as reações psicológicas são agudas e estão diretamente relacionadas às expectativas e à intensidade dos laços afetivos desenvolvidos com o feto ao longo da gravidez.

Manifestam-se com tristeza, frustração, raiva, culpa e depressão. E, não raro, demandam intervenções psicológicas.

“A perda de um filho seja durante a gestação, no parto ou após o nascimento, é um acontecimento trágico, causando sérios danos à saúde mental da mulher”, avalia Fábio Faria.

“Muitas mulheres desenvolvem transtorno de estresse pós-traumático e precisam ter acesso prioritário a tratamento”.

“Por isso, é essencial que, seguindo os preceitos de humanização, proteção e recuperação do bem-estar, os serviços de saúde estejam atentos e seja garantida, também, a assistência psicológica pelo Sistema Único de Saúde – SUS”, finalizou.

Projeto de Lei (3391/19) proposto pelo deputado Fábio Faria (PSD-RN) tenta construir, na rede pública de saúde, as condições para enfrentar esse drama, disponibilizando atendimento psicológico para as mulheres que sonharam com a maternidade e acordaram para o pesadelo do aborto espontâneo.

“A ideia é assegurar prioridade na assistência psicológica dessas mulheres cuja gravidez resultar em aborto, óbito fetal ou perinatal”, justificou o deputado.

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