Pedofilia virtual avança no Brasil, onde 85% das crianças e jovens já estão conectadas
Pedofilia virtual avança no Brasil, onde 85% das crianças e jovens já estão conectadas

Um terço das pessoas conectadas no mundo tem menos de 18 anos. Os dados, do Fundo das Nações Unidas para a Infância, são ainda mais impressionantes no Brasil: levantamento feito pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) indica que, atualmente, 85 por cento das crianças e adolescentes brasileiros já são usuários da internet.
Embora essa nova geração tenha grande facilidade para usar as ferramentas digitais, está cada dia mais suscetível a um perigo muito real: a pedofilia virtual.

A despeito do país ter enxergado a necessidade de mapear o alcance dos pedófilos virtuais (recomendado há dez anos por CPI da Pedofilia da Câmara Federal), não existe um bando de dados nacional de casos de ataques sexuais a crianças e adolescentes no ambiente da web.

Mas as delegacias de crimes cibernéticos em funcionamento nos estados sinalizam que o problema está em progressão.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o número de inquéritos envolvendo casos de pedofilia cometidos com o auxílio da Internet aumentou em torno de 50% entre 2016 e 2017, de acordo com a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI).

No Rio Grande do Sul, o quadro é ainda mais dramático: 80% dos crimes virtuais investigados este ano estão relacionados à pedofilia, segundo dados reunidos pela Secretaria Estadual de Segurança Pública. Em abril, 168 investigações estavam em andamento.
Os crimes de pedofilia virtual também crescem nas demais regiões. No primeiro semestre, a operação Luz na Infância 2, desencadeada pela Polícia Federal, prendeu pedófilos espalhados pelo país – de São Paulo a Amazônia, homens entre 20 e 60 anos foram flagrados com farto material sobre pedofilia e usando ativamente redes sociais como instrumento para o cometimento dos crimes.

E é neste ambiente de progressão de ataques sexuais – vitimando crianças e adolescentes – que o deputado federal Fábio Faria (PSD/RN) aposta na elaboração de leis mais duras para desbaratar quadrilhas e alertar pais e responsáveis.

É dele projetos de lei (PL 3396/2019) que prevê tratamento químico voluntário como gatilho de redução de penas de condenados por crimes de natureza sexual cujo alvo sejam menores de idade.
O parlamentar também apresentou projeto (PL 899/2019) que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente para obrigar a apresentação de aviso de classificação etária dos conteúdos audiovisuais disponibilizados nas plataformas de compartilhamento de vídeos na internet.

“A internet é uma ferramenta poderosa com impactos amplamente positivos, mas também apresenta grandes desafios, entre os quais destaco a proteção de nossas crianças internautas”, defende o deputado, que pretende seguir focado em ações que possam tornar o ambiente virtual mais seguro para os jovens brasileiros.
“Quem são, onde estão, como agem e como podemos prevenir esses crimes, além de punir amplamente os criminosos”, lista Fábio Faria.

É possível prevenir?

1 – Navegue com seu filho – conhecendo sites preferidos, conteúdos que tem acesso.
2 – Desaconselhe o uso de aplicativos de chat, através dos quais a criança e o adolescente podem ter acesso a estranhos.
3 – Fale abertamente sobre a pedofilia – homens e mulheres mal-intencionados – e as oriente para que não prestem informações pessoais como nome, endereço de casa e da escola.
4 – Conheça os amigos das crianças no mundo virtual.
5 – Evite colocar o computador no quarto dos seus filhos. Dê preferência à sala ou a algum outro cômodo da casa que proporcione a navegação à vista da família e a livre circulação no ambiente.

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