futebolfeminino 1024x229 - Futebol Feminino

Futebol é coisa de homem, certo? O Conselho Nacional de Desportos (CND) – órgão administrativo que regulava toda prática de esportes no País, extinto em 1993 – já acreditou que sim.
Na década de 60, a modalidade chegou a ser proibida para as mulheres.
E levou tempo para a exclusão ser revogada. Só no começo da década de 80 elas puderam voltar a entrar em campo. Uma volta triunfal, que já rendeu ao País medalhas olímpicas, campeonatos pan-americanos e mundial.
Mas essa é uma história que tem muitos capítulos – e é quase tão antiga quanto o próprio futebol.
Mas um fato é inquestionável – no Brasil e no mundo: da proibição à falta de investimentos, mulheres resistem e avançam nas conquistas.
Futebol (também) é coisa de mulher, sim senhor!

História do Futebol Feminino

Mulheres e futebol construíram uma história longa – e antiga.
Teria começado no século 18 em Londres. No campo, inglesas e escocesas travaram – o ano era 1898 – a primeira partida oficialmente registrada pela Federação Internacional de Futebol.
A Fifa faria registro análago no Brasil somente em 1921. A partida aconteceu em São Paulo entre os times das senhoritas catarinenses e tremembeenses.
A arquibancada tinha diante de si um espetáculo – mas não propriamente de futebol. Os “torcedores” apreciavam como se estivesse diante de um fenômeno bizarro.
O futebol feminino, aliás, já foi número de palcos circenses na categoria “atração curiosa” – um começo mambembe que até hoje encontra dificuldades de ser levado a sério, a despeito dos títulos e conquistas. E de ícones vitoriosos como a jogadora Marta, eleita seis vezes a melhor do mundo pela Fifa.

DESAFIOS ENTRE QUATRO LINHAS

Jogadoras famosas e laureadas como a brasileira Marta, seis vezes eleita a melhor do mundo, são personagens raras em uma seara profundamente marcada por baixos investimentos e incentivos. 
Do primeiro time feminino de futebol criado no país – o Araguari Atlético Clube, fundado em 1958 em Minas Gerais – até aqui, a maioria dos clubes brasileiros faz apostas baixas na performance feminina nos gramados.

O amadorismo dá as cartas.

A maioria absoluta das jogadoras não tem registro em federações ou junto à Confederação Brasileira de Futebol. A exclusão se materializa na ausência de remuneração e patrocínio. E quem consegue se inserir nas folhas dos times ganha – muitas vezes – abaixo do Salário Mínimo nacional.
Os baixos investimentos de hoje reforçam as barreiras históricas erguidas contra o futebol feminino – uma história que reúne lances realmente inacreditáveis. Além da proibição do CND, as jogadoras brasileiras já tiveram sobre suas cabeças peças legais como o Decreto-Lei 3.199, de 1941, que ficou vigente até 1975, proibindo a prática de futebol para as mulheres.

Da exclusão ao podium

Somente em 1996 o futebol feminino foi incluído na lista dos esportes olímpicos. Elas trataram de recuperar o tempo perdido. E a partir daí, a despeito de tantas exclusões e poucas apostas, a pátria de chuteiras (femininas) vem construindo uma história de conquistas e vitórias:
O 4° lugar nas Olimpíadas de Atlanta e Sidney; a medalha de prata nas Olimpíadas de Atenas e Pequim; O Ouro nos Jogos Pan-americanos de 2007; segundo e terceiro lugares na Copa do Mundo de Futebol Feminino.
As conquistas nos gramados impulsionaram movimentos que trabalham para dar visibilidade ao futebol feminino no país.
A Conmebol, entidade responsável pela organização das competições na América do Sul, impôs exigência da composição de equipes de mulheres como requisito para a liberação da participação dos times de homens na Copa das Libertadores.
E a CBF – que criou a Copa do Brasil de Futebol Feminino, buscando difundir o esporte no país e atrair novos talentos – realizou adaptações no campeonato ao criar duas divisões – alimentando o ânimos das atletas e dando impulso às chuteiras femininas.
Além do Brasileirão das Mulheres, surgiram campeonatos regionais e estaduais fortes, que movimentam o mercado de atletas e viabilizam o surgimento de torcedores.

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Conheça o Projeto do Deputado

PL 1509/2019 Altera a Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, que institui normas gerais do desporto, para garantir que os recursos do Ministério do Esporte sejam destinados a apoiar o futebol feminino e a Lei nº 11.438, de 29 de dezembro de 2006, que dispõe sobre incentivos e benefícios para fomentar as atividades de caráter desportivo, para garantir que os recursos captados possam ser destinados ao futebol feminino profissional.

PL 1509/2019

Altera a Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, que institui normas gerais do desporto, para garantir que os recursos do Ministério do Esporte sejam destinados a apoiar o futebol feminino e a Lei nº 11.438, de 29 de dezembro de 2006, que dispõe sobre incentivos e benefícios para fomentar as atividades de caráter desportivo, para garantir que os recursos captados possam ser destinados ao futebol feminino profissional.

O projeto de Fábio Faria, em tramitação na Câmara Federal, altera a lei do desporto (9.615/98), para garantir que os recursos da Secretaria do Esporte sejam destinados a apoiar o futebol feminino.

“Há mais de cinco mil jogadoras em atividade no país, mas a maioria dos clubes mantêm apenas times amadores de futebol feminino e apenas três desses times assinam carteira das suas jogadoras”, lamentou o parlamentar.

Ele insiste que a falta de estrutura profissional do futebol feminino ainda é desafio a ser vencido. “A possibilidade de utilizar recursos da Lei de Incentivo ao Esporte seria o primeiro passo”, avalia.
Profissionalizar é preciso. Para Fábio Faria, a falta de investimentos se soma ao amadorismo. E um fenômeno alimenta o outro. Ele explica:
Os campeonatos organizados no país ainda não exigem que os times sejam profissionais. Sob a modalidade amadora, os vínculos entre clubes e atletas permanecem precários.

“É necessário que haja alguma forma de incentivo para que os clubes possam profissionalizar suas atletas, valorizando o esporte como um todo”, argumenta o parlamentar.
Segundo o deputado, as relações trabalhistas mais estáveis e direitos trabalhistas respeitados trazem mais incentivos para o desenvolvimento do esporte.

“O vínculo empregatício é o mínimo que um trabalhador deve ter reconhecido, negar isso a atletas que treinam, se dedicam, participam de competições e defendem as cores do Brasil mundo afora é um crime”, finaliza o deputado, cristalizando – com seus dados e impressões – o cenário (ainda) proibitivo do futebol feminino em pleno século XXI.
Sairam de campo os decretos e sanções. Entrou a omissão.

O projeto de Fábio Faria, em tramitação na Câmara Federal, altera a lei do desporto (9.615/98), para garantir que os recursos da Secretaria do Esporte sejam destinados a apoiar o futebol feminino.

“Há mais de cinco mil jogadoras em atividade no país, mas a maioria dos clubes mantêm apenas times amadores de futebol feminino e apenas três desses times assinam carteira das suas jogadoras”, lamentou o parlamentar.

Ele insiste que a falta de estrutura profissional do futebol feminino ainda é desafio a ser vencido. “A possibilidade de utilizar recursos da Lei de Incentivo ao Esporte seria o primeiro passo”, avalia.
Profissionalizar é preciso. Para Fábio Farias, a falta de investimentos se soma ao amadorismo. E um fenômeno alimenta o outro. Ele explica:
Os campeonatos organizados no país ainda não exigem que os times sejam profissionais. Sob a modalidade amadora, os vínculos entre clubes e atletas permanecem precários.

“É necessário que haja alguma forma de incentivo para que os clubes possam profissionalizar suas atletas, valorizando o esporte como um todo”, argumenta o parlamentar.
Segundo o deputado, as relações trabalhistas mais estáveis e direitos trabalhistas respeitados trazem mais incentivos para o desenvolvimento do esporte.

“O vínculo empregatício é o mínimo que um trabalhador deve ter reconhecido, negar isso a atletas que treinam, se dedicam, participam de competições e defendem as cores do Brasil mundo afora é um crime”, finaliza o deputado, cristalizando – com seus dados e impressões – o cenário (ainda) proibitivo do futebol feminino em pleno século XXI.
Sairam de campo os decretos e sanções. Entrou a omissão.

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História

Mais de meio século – precisamente 65 anos – separam as primeiras edições das copas mundiais de futebol masculina e feminina.
A Federação Internacional de Futebol autorizou eles entrarem em campo em 1928. Elas, somente em 1991.
Mas há registro histórico de copas femininas experimentais antes do aval da Fifa.
Teria acontecido em 1970, na Itália, e o torneio recebeu o nome de Martini Rosso Cup, sem a chancela da federação.
Somente 19 anos depois, em 1989, a Fifa atendeu o apelo do Comitê das Mulheres da Noruega e começou a preparar a Copa do Mundo de Futebol Feminino.
Atualmente, o torneio reúne 24 seleções femininas. E, do mesmo modo que a versão masculina, é realizada em intervalos de quatro anos.
A edição deste ano, que inicia dia 7 de junho, será na França.

Curiosidades

Deslisando nos gramados de sutiã
Deslisando nos gramados de sutiã

A foto chocou o mundo: a zagueira norte-americana Brandi Chastain tirou a camisa e, de sutiã, deslisou de joelhos pelo gramado, em uma explosão de alegria. Ela tinha motivos: acabara de marcar o gol do título dos Estados Unidos na Copa Feminina de Futebol 1999.

A foto foi reproduzida nos principais jornais do mundo.  227x300 - Futebol Feminino
A foto foi reproduzida nos principais jornais do mundo.
E marcou, para sempre, a história do futebol feminino.

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Campeãs

Em sete edições, a Copa do Mundo de Futebol Feminino da Fifa produziu quatro campeãs. O maior deles são os Estados Unidos, com três títulos.
O Brasil tem um vice-campeonato, conquistado na edição 2007.

Veja ranking das campeãs:

  • Estados Unidos - 3 títulos (1991, 1999 e 2015)
  • Alemanha - 2 títulos (2003 e 2007)
  • Noruega - 1 título (1995)
  • Japão - 1 título (2011)

Países Sedes

A Copa do Mundo de Futebol Feminino já teve sete edições e teve os seguintes países sedes:
  • 1991: China como país sede.
  • 1995: Suécia como país sede.
  • 1999: Estados Unidos como país sede.
  • 2003: Pela segunda vez seguida, os EUA foi país sede.
  • 2007: A China, mais uma vez, foi país sede.
  • 2011: Alemanha como país sede.
  • 2015: Canadá como país sede.
  • 2019: Dessa vez, no dia 07 de junho de 2019, a bola vai rolar em gramados franceses e o primeiro jogo será entre França e Coreia do Sul às 16h no horário de Brasília.

O Brasil está no grupo C junto à Jamaica, Itália e Austrália. Nossa seleção jogará pela primeira vez no dia 09 às 10h30 contra a Jamaica. No dia 13, às 13h, enfrentará a Austrália e, no dia 18, a Itália às 16h.

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Sim, nós temos a mulher gol!

A seleção brasileira feminina não tem nenhum título do Mundial feminino, mas tem a maior artilheira da competição. A atacante Marta marcou 15 gols em quatro edições das quais participou (2003, 2007, 2011 e 2015).

Veja quais são as principais artilheiras de todas as competições:

  • 1 Brasil - Marta
  • 2 Alemanha - Birgit Prinz
  • 3 Estados Unidos - Abby Wambach
  • 4 Estados Unidos - Michelle Akers
  • 5 China - Sun Wen
  • 6 Alemanha - Bettina Wiegmann
  • 7 Noruega - Ann Kristin Aarønes
  • 8 Alemanha - Heidi Mohr
  • 10 Noruega - Hege Riise
  • 9 Noruega - Linda Medalen

Sim, nos temos a mulher gol

A seleção brasileira feminina não tem nenhum título do Mundial feminino, mas tem a maior artilheira da competição. A atacante Marta marcou 15 gols em quatro edições das quais participou (2003, 2007, 2011 e 2015).

Veja quais são as principais artilheiras de todas as competições:

  • 1 Brasil - Marta
  • 2 Alemanha - Birgit Prinz
  • 3 Estados Unidos - Abby Wambach
  • 4 Estados Unidos - Michelle Akers
  • 5 China - Sun Wen
  • 6 Alemanha - Bettina Wiegmann
  • 7 Noruega - Ann Kristin Aarønes
  • 8 Alemanha - Heidi Mohr
  • 10 Noruega - Hege Riise
  • 9 Noruega - Linda Medalen

Acompanhe o Projeto

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Conheça os Depoimentos

Sobra amor pela bola.
Falta incentivo.
Na distância entre eles, a força de vontade – tipicamente feminina – entra em campo.
Muitas vezes sem contrato ou salários.
Sem patrocínios ou reconhecimento.
E, a despeito de tudo, elas não desistem:
Cheias de garra, driblando as dificuldades, lançando pra escanteio o preconceito e reafirmando que mulher joga futebol sim senhor!
Aqui, os depoimentos de quem veste a camisa do futebol feminino no Brasil.
E constrói uma história que – sim – já tem a marca da vitória.

Sobra amor pela bola.
Falta incentivo.
Na distância entre eles, a força de vontade – tipicamente feminina – entra em campo.
Muitas vezes sem contrato ou salários.
Sem patrocínios ou reconhecimento.
E, a despeito de tudo, elas não desistem:
Cheias de garra, driblando as dificuldades, lançando pra escanteio o preconceito e reafirmando que mulher joga futebol sim senhor!
Aqui, os depoimentos de quem veste a camisa do futebol feminino no Brasil.
E constrói uma história que – sim – já tem a marca da vitória.