Marca Maxmeio
PSD

Discursos

Descontentamento com decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da prática da vaquejada no Paí 10.10.2016

 Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, recebemos, na semana passada, a triste notícia de que a vaquejada se tornou um esporte ilegal no Ceará e pode se tornar em todo o País, o que levará os organizadores a serem penalizados, por decisão do Supremo Tribunal Federal.
No ano passado, eu subi a esta tribuna para defender a manutenção dos eventos de vaquejada e hoje estou de volta para lamentar essa decisão e mostrar o quanto milhares de brasileiros podem perder sem essa atividade tão tradicional e cultural, não só na minha Região Nordeste - eu sou do Rio Grande do Norte -, mas também em vários cantos do Brasil.
Querem acabar com uma prática secular, antes conhecida como "pegada de boi". Homens, mulheres, avós, crianças, famílias inteiras criaram o hábito de assistir e aplaudir nas arenas seus heróis. Mais que uma recreação, a vaquejada virou atividade profissional. Para se ter uma ideia, o esporte, na minha Região Nordeste, só perde para o futebol. Tem 3 milhões de adeptos, 600 mil vaqueiros profissionais e, de acordo com a Associação Brasileira de Vaquejada, movimenta por ano 600 milhões de reais. Mesmo em época de crise, esse número tem aumentado 20% anualmente. Vaquejada gera emprego e renda. Sustenta o povo do sertão. Só no Rio Grande do Norte, são 50 mil empregos diretos e indiretos que podem ser perdidos com o fim da vaquejada. No meu Estado acontecem, aproximadamente, 400 vaquejadas por ano, que envolvem 2 mil vaqueiros, mil deles profissionais. E sabem quanto as duas maiores associações do meu Estado movimentam ao ano? Dois milhões de reais. Todas as associações potiguares, 5 milhões. E, se falarmos das vaquejadas e de outros eventos relacionados, esse número chega a 9 milhões de reais só no Rio Grande do Norte.
A economia é um fator importante a ser considerado, porque a vaquejada promove o aquecimento do mercado em centenas de cidades, mas a cultura... Isso, então, tem um valor inestimável. Vaquejada nordestina é tradição, está na raiz do povo sertanejo, é cultura mantida viva ao longo de todos esses anos por milhares de famílias. A atividade é tão consolidada que hoje se estende para muito além da região nordestina. Está no Norte, no Sudeste, especialmente no interior do Rio de Janeiro e de Minas Gerais.
Sabemos que o principal argumento para a decisão do STF são os maus-tratos aos animais, mas, nos últimos anos, senhores, a atividade mudou, evoluiu, exige o cuidado adequado, o uso de equipamentos desenvolvidos justamente para proteger os animais. As Associações Brasileiras de Vaquejada e de Criadores de Cavalo Quarto de Milha manifestaram o trabalho que vêm fazendo pelo bem-estar animal, com aplicação de normas e tudo o mais. Esse trato dedicado é justamente o que faz das vaquejadas eventos tão grandiosos e cheios de êxito, que lotam arenas, despertam e mantêm o interesse do público.
Tendo o cuidado que se deve com os animais e regras que preservem a tradição, não me conformo em ver um esporte como esse se transformar em crime ambiental. Numa região onde a seca já devastou quase tudo e deixou milhares sem eira nem beira, uma possível inviabilização da vaquejada é sentenciar o nordestino por completo. E com isso eu não posso concordar.
Aqui deixo todo o meu apoio aos vaqueiros, adeptos, admiradores e defensores da vaquejada. Essa luta é do povo sertanejo e também minha. Vamos nos mobilizar. Amanhã teremos um protesto em Natal, em frente à Assembleia Legislativa, na tentativa de sensibilizar os Deputados potiguares e - quem sabe? - conseguir reverter essa decisão.

Era o que tinha a dizer.
Muito obrigado.